Método Wolbachia: mosquitos ‘modificados’ são usados para combater a dengue em Porto Velho
Projeto da Fiocruz vai abranger 27 bairros e prevê a liberação de dois milhões de insetos por semana. Técnica é natural, segura e já reduziu infecções em até 89% no estado do Rio de Janeiro.
Em Porto Velho, o Aedes aegypti deixará de ser o vilão e passará a ser herói no combate de arboviroses, como dengue, chikungunya e zika. A cidade começou a implementar o método Wolbachia, iniciativa reconhecida mundialmente que impede o desenvolvimento dos vírus causadores dessas doenças dentro do inseto.
O método consiste em liberar mosquitos que carregam a Wolbachia, uma bactéria natural presente em mais da metade dos insetos na natureza. Ela atua como um bloqueio, tornando o Aedes aegypti incapaz de transmitir as arboviroses.
Ao serem espalhados pela cidade, esses mosquitos cruzam com a população local e passam a bactéria para as próximas gerações. A modificação não envolve alteração genética, não utiliza produtos químicos e é considerada segura, com recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O método já reduziu os casos de dengue em até 89% em Niterói (RJ) e trouxe bons resultados em cidades como Joinville (SC) e Campo Grande (MS).
A ação é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito Brasil.
O pesquisador da Fiocruz Diogo Chalegre acompanha as etapas em Porto Velho e pede tranquilidade aos moradores durante a soltura dos insetos.
Ele reforça que os mosquitos são visualmente idênticos aos comuns e que o método usa um microrganismo já presente no meio ambiente.
“Essa bactéria já está presente em 60% dos insetos na natureza, só que ela não tinha ainda no Aedes aegypti”, destaca Chalegre.
Outro ponto fundamental defendido pelo pesquisador é que o processo não envolve transgenia. Diante da cena incomum de agentes liberando os insetos pelas ruas, ele reforça o pedido de tranquilidade.
“Não tem nenhum tipo de modificação genética; a população deve ficar tranquila, apesar de, às vezes, assustar você ver um agente de endemias soltando esses mosquitos”, pondera.
Acesse: www.portorondonia.com.br

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Fonte: https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2026/08/05/metodo-wolbachia-mosquitos-modificados-sao-usados-para-combater-a-dengue-em-porto-velho.ghtml